Kleber Silveira cria Secretaria da Pessoa com Deficiência em Cruzeiro

Prefeito afirma que a implantação da nova pasta se faz necessária para garantir mais recursos financeiros para o município expandir investimentos nos cuidados com PcD e seus familiares

O prefeito Kleber Silveira anunciou a criação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de Cruzeiro. Segundo ele, a implantação da nova pasta será uma das primeiras medidas do seu primeiro mandato. A declaração sobre a nova pasta tem sido feita pelo prefeito em suas redes sociais, desde que venceu as eleições de 06 de outubro. Kleber entende que a criação da secretaria se faz necessária para ampliar os cuidados com as pessoas com deficiência, o apoio aos familiares e às entidades locais que desenvolvem trabalho voluntário com PcD.

“Andando pela cidade, nesse período todo de campanha eleitoral, notei que as pessoas com deficiência precisam da nossa cabeça, dos nossos olhos, dos nossos braços, das nossas pernas e do nosso coração. Se a gente do poder público não olhar com carinho para a população PcD, as famílias sofrem muito. Com certeza, a criação da secretaria vai ser uma retaguarda importante para a pessoa com deficiência e seus cuidadores”, observa o prefeito.

De acordo com as novas informações do Censo 2022, quase 19 milhões de pessoas com 2 anos ou mais possuem algum tipo de deficiência, representando 8,9% da população brasileira nessa faixa etária. Dentre elas, 47,2% possuem 60 anos ou mais, o que equivale a aproximadamente 8,8 milhões de pessoas.

A realidade das pessoas com deficiência em diferentes recortes da sociedade brasileira

Agora que você já conhece um pouco mais sobre o perfil demográfico das pessoas com deficiência no Brasil, que tal entender a sua relação com algumas áreas importantes da sociedade?

Um dos aspectos que mais contribui para a desigualdade social e falta de oportunidades para as pessoas com deficiência é a baixa escolaridade. Ela normalmente resulta em dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, e consequentemente afeta negativamente a renda familiar dessa parcela da população. Então vamos te explicar melhor como está esse cenário hoje e algumas das causas para que ele esteja assim. 

Pessoas com deficiência e educação

Começando pelo começo, 19,5% das pessoas com deficiência são analfabetas. Além de ser um dado bastante preocupante por si só, ele ganha contornos ainda mais complicados quando descobrimos que a taxa de analfabetismo de pessoas sem deficiência é de “apenas 4,1%”. 

A partir daí, os outros dados não são uma grande surpresa: 63,3% das pessoas com deficiência não têm instrução ou possui o ensino fundamental incompleto, 11,1% tem o fundamental completo ou o ensino médio incompleto, 25,6% concluíram o ensino médio e apenas 7% possuem ensino superior.

É importante pensarmos também que as crianças com deficiência muitas vezes enfrentam barreiras ainda maiores ao ir para a escola, podendo ter dificuldade de compreensão das aulas ou questões físicas e fisiológicas que as impedem de manter uma boa frequência. Por conta disso, muitas delas também têm que lidar com o atraso escolar, por causa da falta de estrutura e acessibilidade nas instituições de ensino.

Apesar da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) exigir direitos, garantias, inclusão e acessibilidade para as pessoas com deficiência em todos os espaços físicos e digitais do país, essa infelizmente ainda não é a realidade.

Pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Em 2022, 5,1 milhões de pessoas com deficiência estavam dentro do mercado de trabalho, enquanto 12 milhões não tinham nenhuma ocupação, formal ou informal. Em outras palavras, 29,2% das pessoas com deficiência estão empregadas, contra 66,4% daquelas sem deficiência. 

Também é interessante destacarmos que 55% das pessoas ocupadas com deficiência atuam na informalidade. Isso pode acabar prejudicando-as, por não terem a segurança da continuidade do trabalho e nem poderem usufruir dos direitos trabalhistas.

Existem alguns fatores que influenciam nesse cenário, desde a baixa escolaridade dessa parcela da população, que comentamos acima, até o capacitismo que ainda está muito enraizado na nossa sociedade. No entanto, mesmo as pessoas com um nível mais alto de instrução enfrentam muitas barreiras no mercado de trabalho, já que a diferença entre pessoas com e sem deficiência que possuem ensino superior é de 29,6 pontos percentuais.

Pessoas com deficiência e renda

Com tudo isso em mente, as pessoas com deficiência apresentam uma renda mensal 30% menor do que a média do Brasil. Elas recebem por volta de R$1.860 por mês, contra R$2.652 da média da população. Também não é uma surpresa que as mulheres com deficiência possuem uma renda menor ainda, recebendo cerca de R$1.553.

Esse comportamento se repete em todos os tipos de atividades profissionais, mas com uma disparidade menor entre pessoas com e sem deficiência nas áreas do transporte, armazenagem e correio, e serviços domésticos.

Como contribuir para mudar esse cenário?

Você imaginava que o cenário das pessoas com deficiência no Brasil era desenhado dessa forma? Bom, de qualquer jeito, podemos concordar que ele é bastante prejudicial e desigual. As pessoas com deficiência enfrentam sempre mais barreiras do que o restante da população, sem nem mencionar as interseccionalidades e dificuldades que pessoas pertencentes a mais de um grupo minoritário.
Mas então qual é o nosso papel como sociedade para mudar esse cenário? Investir em iniciativas de acessibilidade e inclusão social! Todas as pessoas e organizações podem contribuir para isso. No mundo corporativo, uma boa solução é começar investindo em ferramentas de acessibilidade na web, como o Hand Talk Plugin, uma solução de acessibilidade de tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais) focada na inclusão da comunidade surda.

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