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Cuba comemora apoio da ONU contra bloqueio dos EUA, apesar de menor votação em 30 anos

Por Jornal Regional MS
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Apesar de registrar o menor apoio em três décadas na Assembleia Geral da ONU, Cuba celebrou a aprovação de uma resolução que condena o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. O embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, classificou o resultado como uma “grande vitória” e criticou a atuação dos EUA no cenário internacional.

A resolução foi aprovada com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. Este é o menor número de votos a favor em 30 anos, quando a proposta chegou a obter mais de 190 votos. Segundo o embaixador, a queda no apoio se deve a uma campanha do governo de Donald Trump para pressionar aliados a votarem contra a medida.

Em 2024, apenas Estados Unidos e Israel votaram contra. Este ano, 17 países se posicionaram contra a condenação do bloqueio, incluindo Argentina, Colômbia, Equador e Ucrânia. Além disso, 25 países optaram pela abstenção, um número significativamente maior do que no ano anterior, com a ausência de votos de nações latino-americanas que historicamente apoiavam Cuba.

Palomo ressaltou o impacto humanitário do bloqueio, citando que mais de 1.500 crianças cubanas morreram por falta de acesso a medicamentos e combustíveis essenciais. Ele também mencionou que a mortalidade infantil em Cuba dobrou entre 2025 e 2026, em decorrência do endurecimento das sanções americanas.

O embaixador argumentou que o bloqueio a Cuba transcende a relação bilateral, representando uma ameaça à soberania de outras nações. “Hoje é Cuba, mas amanhã pode ser qualquer outro país que os EUA desejarem”, alertou, referindo-se à nova doutrina de Trump para a América Latina, que visa impedir relações regionais com a China e impor controle americano sobre a região.

As sanções secundárias, que punem empresas estrangeiras por negociarem com Cuba, foram apontadas como um fator que eleva os preços de produtos importados e dificulta o comércio. Palomo exemplificou a situação com mais de 7 mil contêineres de produtos paralisados em portos globais devido ao receio das transportadoras em sofrer represálias dos EUA.

Desde o retorno de Trump à Casa Branca, novas sanções foram impostas, incluindo o bloqueio energético que, segundo o embaixador, deixou a ilha sem receber petróleo por três meses, resultando em apagões de mais de dez horas diárias em Havana. Medidas de asfixia econômica também afetaram o setor de turismo, com a redução de voos internacionais e a saída de empresas hoteleiras.

Em resposta, Cuba iniciou uma reforma econômica e busca diversificar sua matriz energética com investimentos em energia solar, com apoio da China, e prioriza a produção de alimentos. “Nosso país não pode esperar que o presidente dos EUA queira mudar seu genocídio contra a Cuba”, concluiu o embaixador.