Política

Lula e Flávio Bolsonaro concordam em quebra mútua de sigilos bancário, fiscal e telefônico

Por Jornal Regional MS
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Em um movimento surpreendente no cenário político, os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro firmaram um acordo para a abertura recíproca de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O termo, assinado por ambos e protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autoriza a divulgação dessas informações até as 23h59 desta quinta-feira.

O acordo detalha que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro “aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos”. A iniciativa foi apresentada à imprensa pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, que esteve no TSE acompanhado de outros representantes da campanha petista, como o presidente do PT, Edinho Silva, o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a deputada Camila Jara (PT-MS).

Representando a campanha de Flávio Bolsonaro no TSE estavam a advogada Maria Cláudia Bucchianeri e o senador eleito Deltan Dalagnol (Novo-PR). O pacto estende a quebra de sigilo para incluir familiares dos candidatos e pessoas jurídicas associadas a eles.

A negociação do acordo envolveu condições específicas. A campanha de Lula, após insistência, conseguiu incluir na abertura de sigilo a empresa Alcazar Holdings, pertencente ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro. Em contrapartida, Lula aceitou a inclusão de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), a divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência e a agenda da primeira-dama, Janja Lula da Silva.

O embate sobre a quebra de sigilos teve início durante um debate televisivo no último domingo (18), quando Lula propôs a divulgação simultânea de informações bancárias e telefônicas. Na última terça-feira (20), Lula já havia protocolado no TSE uma autorização para a quebra de seus sigilos e de suas pessoas jurídicas, condicionada à reciprocidade por parte de Flávio Bolsonaro.