O debate televisionado entre os candidatos à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), promovido pela TV Globo, foi palco de trocas de acusações e defesas de propostas, com destaque para um momento de forte reação do atual presidente.
Flávio Bolsonaro iniciou a discussão com a afirmação de que o presidente Lula agia com duplicidade, utilizando a expressão “dá com uma mão e tira com nove dedos”, em referência à perda do dedo mínimo da mão esquerda de Lula quando jovem. Lula, por sua vez, reagiu com indignação, defendendo sua trajetória no mundo do trabalho e refutando a denominação “nove dedos” por parte de um “miliciano”, exigindo desculpas públicas.
“Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente tem que ir trabalhar”, declarou o petista.
Após a fala de Lula, Flávio Bolsonaro apresentou um pedido de desculpas: “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”. O senador, então, retomou os ataques, cobrando do governo desculpas pela situação das pessoas em situação de rua, que segundo dados de uma pesquisa, tiveram um aumento de 55% entre 2022 e 2025, embora haja debates sobre a metodologia da contagem.
Em outro momento, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual. O senador reconheceu a posição e afirmou ter mudado de opinião, justificando que, após se tornar pai, compreendeu a importância do período para as mães. Lula criticou a justificativa, considerando-a evasiva, e também atacou a postura de Flávio em relação ao programa Bolsa Família, acusando-o de “falta de respeito com o povo pobre” por postagens antigas que se referiam ao programa como “bolsa-farelo”. Flávio Bolsonaro, por sua vez, garantiu a manutenção e ampliação dos benefícios sociais, incluindo o Bolsa Família.
O endividamento das famílias brasileiras e a dívida pública foram outros temas abordados. Flávio Bolsonaro atribuiu aos juros elevados e às políticas do governo os problemas financeiros da população. Lula rebateu, atribuindo a questão à política de juros do Banco Central e defendendo o crescimento econômico. O candidato do PL propôs o uso da Caixa Econômica Federal para renegociar dívidas bancárias, iniciativa que, segundo Lula, já havia sido encaminhada por seu governo ao Senado, que também já realizou medidas de renegociação e perdão de dívidas.
A discussão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) também marcou o debate. Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre declarações de um integrante de sua equipe econômica que indicariam cortes de investimento no SUS e criticou a gestão da pandemia pelo governo Bolsonaro. O petista defendeu o SUS como fundamental para a saúde pública e para mitigar os efeitos da pandemia. Flávio Bolsonaro assegurou a manutenção e ampliação dos investimentos no sistema, mas criticou a gestão atual, as filas de atendimento e o financiamento, propondo cortes na corrupção, burocracia e impostos, além de um aumento na tabela de procedimentos do SUS.
