Agronegócios

Diesel mais caro reforça atenção ao consumo nas máquinas agrícolas

Por Jornal Regional MS
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Planejamento das atividades, manutenção e uso adequado das máquinas ajudam a evitar desperdícios e reduzir o impacto do combustível nos custos da produção

A alta do preço do diesel aumenta a pressão sobre os custos da produção agrícola e coloca o consumo de combustível entre os pontos de atenção durante a safra. O movimento ocorre em um período de maior demanda no campo, com o avanço das operações de plantio em diferentes regiões do país.
 

O combustível está entre os principais custos das operações mecanizadas e o consumo pode variar de acordo com o tipo de atividade, as condições do terreno, a regulagem da máquina, a tecnologia embarcada e a forma de condução. Para Edison Souza, gerente comercial de Pós-Vendas da AGCO América Latina, algumas medidas ajudam a evitar desperdícios e aproveitar melhor cada litro de diesel.
 

Planejamento evita deslocamentos desnecessários

Organizar a sequência das operações é uma das formas de reduzir deslocamentos que não contribuem para o trabalho. O piloto automático orienta a máquina ao longo das linhas de plantio, reduzindo passadas sobrepostas e contribuindo para um uso mais eficiente do combustível.
 

Definir previamente os talhões, trajetos e abastecimentos permite aproveitar melhor o tempo disponível e reduzir o trânsito entre áreas. A escolha da velocidade e da configuração da máquina deve considerar o tipo de atividade, as condições do solo e a demanda de potência.

Manutenção interfere no consumo

Filtros, sistema de injeção, pneus e componentes do motor estão diretamente relacionados ao desempenho da máquina. A manutenção preventiva permite identificar problemas antes que provoquem perda de potência ou aumento do consumo.
 

A qualidade do combustível e as condições de armazenamento também merecem atenção. No Brasil, a adição de 15% de biodiesel ao diesel reforça a importância de cuidados com o armazenamento e a conservação do combustível. O uso de aditivos e bactericidas é essencial para que a queima seja eficiente no motor no maquinário. Água e impurezas no sistema podem comprometer componentes e afetar o funcionamento do motor. O abastecimento deve ser realizado em estruturas adequadas e seguindo os cuidados recomendados pelo fabricante.
 

Condução também faz diferença

A forma como o operador utiliza o equipamento pode influenciar o consumo durante a jornada. Trabalhar na faixa de rotação adequada, escolher corretamente a marcha ou a configuração da transmissão e evitar acelerações desnecessárias contribuem para um uso mais eficiente da potência disponível.

O mesmo vale para os períodos de transporte. Sempre que possível, a velocidade deve ser compatível com as condições da via e da carga, evitando exigir do motor mais potência do que a necessária para realizar o deslocamento.

Tecnologia ajuda a acompanhar o desempenho

O monitoramento do consumo permite acompanhar a eficiência de combustível ao longo da operação. Sistemas de telemetria e gestão de máquinas podem reunir informações sobre horas trabalhadas, consumo e desempenho, facilitando a identificação de desvios e de oportunidades de melhoria.

“Para o produtor, acompanhar o consumo durante a safra ajuda a identificar desperdícios e tomar decisões sobre manutenção, condução e planejamento. Em períodos de preços mais altos, cada hora de trabalho e cada litro de diesel utilizado ganham peso na conta da operação”, ressalta o especialista.

Máquinas mais eficientes ajudam a reduzir o consumo

Além dos cuidados na operação, a tecnologia das máquinas agrícolas contribui para reduzir o consumo de combustível ao longo da safra. Sistemas inteligentes de transmissão ajustam automaticamente o funcionamento do motor à carga exigida, permitindo manter o desempenho necessário ao trabalho com menor consumo e desgaste dos componentes.

Um exemplo é o trator MF 8S, da Massey Ferguson, equipado com transmissão Dyna-VT. Em testes comparativos realizados em condições reais de campo, durante uma operação de plantio direto com implementos de 18 linhas, o equipamento registrou consumo de 24,19 litros por hora, ante 33,75 litros por hora do modelo utilizado como referência. A diferença representa uma redução de 28,33% no consumo por hora.

“A eficiência energética se consolida como um dos principais critérios técnicos na escolha do maquinário agrícola pelo produtor. Reduzir o consumo de combustível sem comprometer o desempenho das operações contribui para melhorar o aproveitamento dos recursos e dar maior previsibilidade aos custos da atividade”, explica o especialista.

Fonte: Flavia Amarante