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Vereador leva Polícia Militar à UEMS atrás de “banner do Lula” criado por IA

Por Jornal Regional MS
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As montagens mostravam banners de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência, em um espaço da universidade.

Imagem criada com inteligência artificial levou o vereador Sindoley Morais (PL) a procurar um suposto banner de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na unidade da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em Paranaíba. Acompanhado de policiais militares, o parlamentar entrou no campus na tarde de quarta-feira (7), mas não encontrou propaganda eleitoral. A abordagem provocou críticas da gerência e uma nota de repúdio do DCE (Diretório Central dos Estudantes).

Segundo a gerente da unidade, professora Sheila Aparecida Villa Rosa, oito policiais participaram da ação, com duas viaturas. Nas imagens recebidas pela reportagem, é possível identificar pelo menos seis militares. Questionado sobre o efetivo, o vereador respondeu: “Não confirmo, não sei ao certo, mas pode ter sido”.

Vereador leva Polícia Militar à UEMS atrás de “banner do Lula” criado por IA
Imagens manipuladas por estudantes com inteligência artificial simulam banners dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro nas dependências da UEMS em Paranaíba (Foto: Direto das Ruas).

Uma estudante que participa do grupo e pediu para não ser identificada afirmou que as imagens foram feitas como brincadeira e não correspondiam a materiais instalados no campus. “Do mesmo jeito que fizeram o do Lula, fizeram o do Bolsonaro. Estavam brincando com isso, mas era só uma imagem no grupo”, contou.

Nos prints recebidos pela reportagem, há manifestações de apoio aos dois candidatos e alertas de estudantes sobre a possibilidade de as montagens saírem do grupo e serem interpretadas como verdadeiras.

Sheila relatou que estava na secretaria por volta das 15h30 quando percebeu a entrada dos policiais. Segundo ela, a equipe não procurou a administração antes de subir as escadas para verificar o local mostrado na imagem. “Não pediram para ir à gerência, não pediram autorização a ninguém, foram entrando”, afirmou a professora, que está à frente da unidade há dez anos.

A gerente disse que encontrou o vereador junto aos militares no andar superior. Ao ser questionada sobre o banner, explicou que não havia propaganda no local e que a imagem era uma montagem. Segundo ela, ainda houve perguntas sobre a semelhança do cenário e as supostas amarrações da faixa.

Sheila afirmou que os policiais portavam o armamento habitual, mas entraram com a mão sobre a arma. Também relatou que uma viatura foi posicionada atravessada na rua. “Não vi necessidade de tantos policiais e viaturas, porque não tinha acontecido um crime”.

A professora informou que pediu à PM o registro do atendimento e que fez um boletim de ocorrência para preservação de direitos. Disse ainda que a direção e a assessoria jurídica da UEMS foram comunicadas e que tem uma reunião com o comandante local marcada para as 15h30 desta quinta-feira (8). Ela também pretende encaminhar uma nota de repúdio à Câmara Municipal.

Procurado pela reportagem, Sindoley confirmou que chamou os policiais após receber de um universitário a imagem do suposto banner de Lula. Segundo ele, as demais montagens e mensagens chegaram somente depois da visita.

O vereador afirmou que queria estar acompanhado caso fosse necessário solicitar a retirada de algum material que considerasse irregular. Sustentou, porém, que a entrada ocorreu com tranquilidade e que nenhuma irregularidade foi encontrada.

“Chegamos com a maior educação e tranquilidade. Entramos, subimos, observamos e vimos que não havia nenhuma irregularidade. Da mesma forma que entramos, saímos”, afirmou o vereador do PL.

Sindoley disse que o portão estava aberto e que os policiais entraram atrás dele. Também confirmou que conversou com Sheila e ouviu que a imagem provavelmente havia sido produzida por IA. “Não fui na condição de vereador. Fui na condição de cidadão e advogado”, declarou. O parlamentar acrescentou que adotaria a mesma postura diante de propaganda de qualquer partido.

Repercussão – Em nota, o DCE repudiou a abordagem e questionou por que a montagem envolvendo Lula motivou a visita, enquanto também havia uma imagem com Flávio Bolsonaro, do mesmo partido do vereador. Sheila afirmou que, durante a conversa, foi questionada apenas sobre o suposto banner de Lula.

“O DCE é apartidário. Não defendemos candidatos: defendemos a pluralidade, a liberdade de expressão e a autonomia universitária”, declarou a entidade em nota publicada nas redes sociais nesta quinta-feira (8).

A deputada estadual Gleice Jane (PT) anunciou, na sessão desta quinta-feira (8), que irá protocolar requerimento de informações ao reitor da UEMS sobre a entrada da PM em um campus da instituição para verificar uma suposta manifestação estudantil. O pedido, que também contará com a assinatura do deputado Zeca do PT, foi apresentado oralmente e, segundo informações encaminhadas à reportagem, será protocolado ainda hoje.

Fonte: Campograndenews