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Obesidade pode ser prevenida? Aprenda o que está ao alcance de cada pessoa

Por Jornal Regional MS
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Do estilo de vida aos fatores genéticos e metabólicos, diferentes aspectos podem influenciar o desenvolvimento e a evolução da doença.

O Dia da Prevenção da Obesidade, celebrado em 11/10, é uma data de alerta para o crescimento dos casos da doença, que é multifatorial, está associada a mais de 250 comorbidades e pode provocar diversas repercussões metabólicas. O aumento de casos representa uma questão de saúde pública que tende a sobrecarregar os sistemas de atendimento médico em vários países.

Segundo o Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, a obesidade entre adultos brasileiros aumentou 118% entre 2006 e 2024. Já um estudo apresentado no Congresso Internacional de Obesidade (ICO 2024), em São Paulo, estima que, até 2044, 48% dos adultos brasileiros poderão ter obesidade e outros 27% estarão com sobrepeso, o que representaria 75% deste grupo com excesso de peso.

“É preciso compreender que não existe uma solução única. O tratamento envolve uma complexidade de fatores, com cuidados multidisciplinares, exigindo condutas baseadas em evidências científicas e resultados. A prevenção é um passo crucial neste processo”, alerta O Prof. Dr. Durval Ribas Filho – médico nutrólogo, Fellow da The Obesity Society – TOS (USA) e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Para o especialista, um dos maiores problemas atuais é a banalização das chamadas canetas emagrecedoras e a avalanche de informações sem respaldo científico. “Muitas pessoas estão tomando o medicamento por questões estéticas apenas, induzidas muitas vezes por promessas milagrosas nas redes sociais, sem estarem atentas aos riscos, pois certamente terão reganho de peso se não forem orientadas.Não há fórmulas milagrosas, mas tratamentos que podem garantir um controle e melhor qualidade de vida, pois uma vez obeso, a pessoa sempre será obesa, pela própria característica da doença”.

E completa: “Reduzir a obesidade à falta de disciplina ou força de vontade, além de simplificar um problema complexo, pode contribuir para o estigma e afastar a pessoa da busca por tratamento adequado”.

Confira 7 atitudes que podem ajudar na prevenção da obesidade:

Não siga a dieta do vizinho ou da internet – Uma alimentação equilibrada deve priorizar alimentos in natura, fibras, proteínas, minerais e vitaminas, além de reduzir ultraprocessados e açúcares adicionados. Informações sobre dietas e emagrecimento nas redes sociais nem sempre têm respaldo científico.

Fuja do sofá – A prática regular de exercícios contribui para o controle do peso. Caminhar, subir escadas, realizar tarefas domésticas e interromper períodos prolongados sentado também aumentam o movimento ao longo do dia. A constância é fundamental.

Peça ajuda – Ansiedade, estresse, compulsão e outros transtornos alimentares podem interferir no ganho de peso. O acompanhamento psicológico pode ajudar no controle desses fatores e na relação com a alimentação.

Valorize seu sono – Dormir pouco ou ter um sono de baixa qualidade pode interferir nos mecanismos de fome e saciedade, alterar o comportamento alimentar e favorecer a escolha de alimentos mais calóricos.

Não despreze a genética e os fatores biológicos – A genética não determina necessariamente a obesidade, mas pode aumentar a predisposição para a doença e influenciar metabolismo, fome, saciedade e armazenamento de energia. Por isso, pessoas em condições semelhantes podem apresentar respostas diferentes em relação ao peso.

Atenção à rotina de medicamentos – Alguns fármacos podem favorecer o ganho de peso como efeito adverso, enquanto determinadas condições de saúde também podem interferir no metabolismo e no controle do peso. Nem sempre o ganho de peso está relacionado apenas à alimentação ou à falta de exercício.

Onde você vive faz diferença – A ampla oferta de ultraprocessados, a publicidade de alimentos calóricos, porções maiores, o fast food, a redução da necessidade de caminhar e o excesso de tempo diante das telas fazem parte de um ambiente que pode favorecer o ganho de peso e influenciar as escolhas individuais.

“Esses fatores sinalizam que há caminhos para prevenir a obesidade e que isso não significa apenas controlar o peso na balança. A prevenção vai além e é fundamental o acompanhamento de um especialista para monitorar os progressos ou fragilidades ao longo do tratamento”, resume o presidente da ABRAN.

Fonte: Edna Vairoletti