Educação

No Mês do Professor, escolas reforçam práticas socioemocionais para apoiar educadores 

Por Jornal Regional MS
Compartilhe:

No mês em que se celebra o Dia do Professor, o debate sobre saúde mental docente ganha força nas escolas. 

Diante de uma rotina que combina planejamento de aulas, avaliações, acompanhamento dos estudantes e demandas administrativas, práticas socioemocionais passam a ser vistas como parte do apoio necessário aos educadores. 

O alerta acompanha uma preocupação global. Relatório da Unesco sobre a profissão docente aponta que sobrecarga de trabalho, condições profissionais e bem-estar estão entre os fatores que influenciam a permanência de professores na carreira. Para Luciana Patrocínio, diretora de soluções complementares na Cogna Educação, cuidar do educador deve ser uma responsabilidade compartilhada pela comunidade escolar. “Cuidar do educador significa reconhecer que ele também precisa desenvolver habilidades para lidar com desafios, estabelecer prioridades, construir relações saudáveis e compreender seus próprios limites”, afirma. 

Segundo a Unesco, serão necessários 44 milhões de novos professores no mundo até 2030 para alcançar as metas de educação. O dado reforça a urgência de tornar a carreira mais sustentável, com melhores condições de trabalho e suporte aos profissionais que estão na linha de frente da aprendizagem. 

Para Luciana, a dimensão emocional precisa fazer parte da cultura de liderança das escolas. “Promover a saúde e o bem-estar desses profissionais é fundamental para uma jornada de trabalho saudável. Para isso, práticas socioemocionais devem fazer parte da cultura de liderança das escolas e contribuir para a construção de um ambiente equilibrado para educadores e alunos”, destaca. 

Fortalecimento da cultura socioemocional nas escolas 

A consolidação da educação socioemocional depende do envolvimento das equipes gestoras e pedagógicas. Diretores e coordenadores têm papel central na incorporação dessas competências à rotina escolar, tanto no desenvolvimento dos alunos quanto na qualidade das relações de trabalho. Formações, oficinas e espaços de troca ajudam a transformar o tema em prática institucional. 

A adesão dos professores também exige conexão com os desafios reais da sala de aula. “Investir em formações conectadas à realidade escolar é uma maneira de aproximar os conceitos da prática. A apresentação de experiências bem-sucedidas, o compartilhamento de resultados e a abertura de espaços para escuta e diálogo também contribuem para que os profissionais reconheçam a relevância dessas ações e se sintam parte do processo”, afirma Luciana. 

Mais do que ações pontuais, o cuidado com a dimensão socioemocional dos educadores deve integrar a rotina da escola de forma contínua, com compromisso da gestão, dos professores e da comunidade escolar. 

Educação socioemocional como aliada do docente 

No programa Líder em Mim, a formação dos educadores tem como base os sete hábitos da metodologia inspirada na obra Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Stephen R. Covey. A proposta incentiva professores a reconhecerem suas potencialidades, refletirem sobre atitudes e desenvolverem estratégias para lidar com a rotina escolar. “Esse processo pode favorecer mudanças na organização da vida pessoal e profissional, além de contribuir para relações mais conscientes e positivas com os colegas e os estudantes”, conclui Luciana. 

 Fonte: Vitória João Luz