Nove famílias que vivem em áreas vulneráveis de Bela Vista precisaram ser retiradas de suas casas após a cheia do Rio Apa, que atingiu 5 metros.
Entre pessoas ilhadas e desalojadas por conta da chuva, que ultrapassa 300 milímetros no mês de outubro, Mato Grosso do Sul tem mais de 70 famílias impactadas pelos temporais. Até o momento, as cidades de Amambai, Batayporã, Fátima do Sul e Bela Vista concentram os principais pontos de atenção.
Nove famílias que vivem em áreas vulneráveis de Bela Vista precisaram ser retiradas de suas casas após a cheia do Rio Apa, que atingiu 5 metros. Desde segunda-feira (12), equipes da Defesa Civil Municipal e do Corpo de Bombeiros atuam no resgate de moradores e no atendimento às ocorrências provocadas pela inundação.
O nível do Rio Dourados também está cerca de 5 metros acima do normal após as chuvas que atingiram a região de Fátima do Sul. A água chegou à copa das árvores e cerca de 10 famílias precisaram ser desalojadas na quarta-feira (14). Nesta quinta (15), o rio subiu ainda mais, preocupando ribeirinhos e pescadores profissionais.
Já em Batayporã, cerca de 80 pessoas estão ilhadas em uma região com ao menos 50 propriedades rurais, na manhã desta quinta-feira (15). Chuvas e ventos fortes derrubaram cerca de 50 árvores, elevaram o nível do Rio Apa e bloquearam pontes e acessos. A prefeitura avalia decretar situação de emergência.
Em Amambai, as autoridades não confirmaram o número exato de famílias que precisaram sair de suas casas. No entanto, nota do Executivo municipal afirma que ao menos duas famílias ficaram desalojadas, precisando de doações de telhas e lonas devido às fortes chuvas que também atingiram a cidade.
Fátima do Sul
Segundo moradora do local, a cheia faz parte do ciclo natural das águas, além de ser impactada pela abertura de comportas de uma usina. A última inundação semelhante ocorreu em 2014, há 12 anos. Cerca de dez famílias desalojadas receberam apoio da Defesa Civil de Fátima do Sul e foram levadas a casas de familiares e amigos.
Na Colônia de Pescadores, os trabalhadores ficam divididos. Por um lado, a cheia impede a pesca neste momento, justamente o período de maior quantidade de peixes. No entanto, também deve facilitar a reprodução dos peixes, aumentando a quantidade de pesca no próximo ano.
A expectativa dos pescadores é de que, se a chuva parar, a atividade de pesca só volte a ser possível em cerca de uma a duas semanas. No entanto, a previsão ainda indica precipitação na região.
Bela Vista
O avanço das águas atingiu residências próximas às margens do rio e mobilizou as equipes de emergência para retirar pessoas das áreas de risco em Amambai. A prioridade foi preservar vidas e garantir a segurança dos moradores afetados pela cheia, segundo a prefeitura.
Após atingir a marca de 5 metros, o Rio Apa começou a apresentar redução no nível nesta quinta-feira (15). Apesar disso, a situação continua sendo acompanhada pelas equipes, já que a diminuição das águas não elimina os riscos nas regiões inundadas.
Batayporã
A região mais afetada é a do bairro rural Perdizes, onde a elevação dos córregos comprometeu duas pontes. A alternativa de acesso por Taquarussu também está interrompida após problemas em uma tubulação. A área isolada se estende das proximidades da Fazenda São Vitor até perto do Assentamento Bela Manhã.
O bairro Perdizes já tem áreas sujeitas a alagamentos, mas a alta dos córregos agravou a situação neste ano. O volume de água e a continuidade das chuvas impedem reparos imediatos. Por enquanto, as equipes trabalham para reduzir os danos e aguardam condições para recuperar os acessos.
Além das pontes, cabeceiras e aterros danificados, a chuva contínua deixa o solo encharcado e prejudica a circulação nas estradas rurais, inclusive nas que costumam apresentar menos problemas.
Na Estrada 41, um vendaval derrubou cerca de 50 eucaliptos e também bloqueou o acesso. Equipes trabalham no corte das árvores e na retirada dos troncos, mas o porte dos eucaliptos e as chuvas frequentes dificultam o serviço. “É um trabalho bem lento, porque são árvores de grande porte”, explica o prefeito de Batayporã.
Amambai
Em Amambai, segundo a prefeitura, foi necessário entregar materiais às famílias atingidas pelo vendaval desde segunda-feira (12). Entre os materiais disponibilizados, estão telhas, telhas de fibrocimento (Eternit), tijolos, pedras, cimento e outros itens necessários para os reparos nos imóveis danificados.
Moradores da Vila Caiuás foram os principais atingidos pelo fenômeno climático. Equipes também retiraram galhos e árvores caídos, durante a limpeza de áreas atingidas e na execução de outras medidas necessárias para minimizar os impactos do vendaval.
Fonte: Midiamax
