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Crise no setor financeiro do Paraguai: Presidente do BC do pais renuncia após crise em banco local

Por Jornal Regional MS
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O caso aumentou a pressão sobre o governo de Peña e ameaça a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte vindo do Brasil

O presidente do Banco Central do Paraguai apresentou sua renúncia nesta terça-feira (3) a pedido do presidente Santiago Peña, enquanto as autoridades iniciavam o processo de resolução do banco digital Ueno.

O caso aumentou a pressão sobre o governo de Peña e ameaça a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para capital estrangeiro, grande parte vindo do Brasil.

Peña afirmou ter solicitado a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, em vista dos fatos que vieram à tona.

O Ministério Público do Paraguai solicitou uma investigação criminal sobre os eventos envolvendo o banco Ueno e ordenou a prisão de oito pessoas ligadas ao banco.

Carvallo afirmou que permaneceria no cargo durante o processo de resolução da Ueno.

O Banco Central e Carvallo, que chefiou o banco digital de rápido crescimento até agosto de 2023, enfrentaram críticas de parlamentares sobre a forma como supervisionaram a instituição financeira e sobre seus laços com Peña. O presidente do Paraguai foi sócio do grupo proprietário do banco até março de 2025.

Clientes preocupados, incluindo pensionistas que recebem benefícios estatais através do Ueno, reuniram-se em frente a agências bancárias fechadas na terça-feira, tentando acessar suas economias.

“Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse Manuel Cáceres, de Ñemby, nos arredores da capital, Assunção. “Infelizmente, muitas pessoas, inclusive eu, estão passando a manhã assim”, acrescentou.

Peña também anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a tramitação de um projeto de lei que autoriza o uso do Fundo Nacional de Garantia para efetuar pagamentos aos depositantes. O presidente afirmou que a lei também garantirá a devolução do dinheiro público e dos fundos mantidos pelo Instituto de Seguridade Social (IPS) e outros fundos de pensão públicos.

“Afastar-me do cargo ajudará a acalmar a controvérsia em torno do BCP (Banco Central do Paraguai)”, disse Carvallo em coletiva de imprensa após o anúncio do processo de resolução. O processo de resolução visa proteger os depositantes e preservar a estabilidade financeira.

Ele afirmou que sua renúncia permitiria que o banco central e a superintendência bancária realizassem seu trabalho sem que disputas políticas e midiáticas os distraíssem.

Crise no setor financeiro do Paraguai: Presidente do BC do pais renuncia após crise em banco local

Investidores em Pressão

O Ueno, controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, possui cerca de 3 milhões de clientes e administra aproximadamente US$ 850 milhões em fundos públicos no Paraguai. Cresceu rapidamente, passando de um nicho de mercado no setor fintech local para um banco de médio porte, seguindo uma trajetória semelhante à de plataformas digitais como Monzo e Nubank.

Nos últimos meses, o banco central paraguaio enfrentou escrutínio regulatório devido a supostos empréstimos excessivos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, o que deixou os investidores apreensivos e afetou negativamente tanto os títulos em dólares da Ueno com vencimento em 2031 quanto os títulos soberanos do Paraguai.

O Grupo Vázquez e o banco Ueno não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

O banco central afirmou que o caso Ueno foi isolado e não indica problemas mais amplos no sistema financeiro.

Peña reforçou isso, dizendo: “Este é um caso particular de uma entidade, não do sistema financeiro nacional”. Ele acrescentou que os responsáveis ​​”devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios”.

A Superintendência de Bancos nomeará auditores para verificar a situação patrimonial da Ueno, informou o banco central.

Nos últimos meses, vários parlamentares pediram a demissão da alta administração do banco central após rejeitarem um relatório sobre a instituição que, segundo eles, estava incompleto.

Fonte: CNN Brasil