O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição presidencial, divulgou uma carta em que expressa gratidão a Javier Milei, presidente da Argentina, e a Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, pelo apoio em sua saída do Brasil. A manifestação ocorreu após sua chegada aos Estados Unidos, para onde viajou após o resultado eleitoral.
Em uma das versões iniciais do documento, Flávio Bolsonaro chegou a se autoproclamar “o verdadeiro presidente eleito do país”, mas o texto foi posteriormente alterado para “líder do Brasil”. Na carta, o senador alega, sem apresentar provas, que a eleição presidencial brasileira teria sido fraudada. Ele baseia sua afirmação na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, de estender o prazo de votação até as 19h, atendendo a um pedido das campanhas do PL e do PT.
A alegação de Flávio Bolsonaro diverge da apuração e do reconhecimento oficial do pleito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As eleições foram endossadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por líderes de diversas nações. A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi chancelada, inclusive, pelos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, além do próprio Partido Liberal (PL), agremiação de Flávio Bolsonaro.
O senador também criticou a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, que o impediu de deixar o país e determinou a apreensão de seus passaportes pessoal e diplomático. A ordem judicial foi expedida pela Polícia Federal (PF) um dia após a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro. O senador é investigado em dois inquéritos no STF, um sobre suspeita de lavagem de dinheiro e outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de seu pai.
Ainda em sua comunicação, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos, assumindo riscos que parlamentares eleitos no Brasil, segundo ele, não poderiam correr. “Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, declarou.
A primeira versão da carta apresentava um brasão da República com a grafia “Brazil” com “z” e a denominação “Estados Unidos do Brazil”, um nome que não é mais utilizado desde março de 1967.
Em paralelo, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado aos democratas, criticou a concessão de visto a Flávio Bolsonaro pelo governo Trump. Por meio das redes sociais, o comitê comparou o tratamento dado ao senador brasileiro com a política migratória aplicada a refugiados de conflitos, questionando a disparidade no acolhimento.
