Segundo informações, a filha mais velha do senador, de 14 anos, teria deixado a escola no primeiro semestre deste ano.
A filha mais nova do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não foi à escola nesta segunda-feira (26) nem nesta terça (27), segundo relato de uma fonte familiarizada com a rotina de um colégio em Brasília, onde ela estuda, na capital federal. Até a semana passada, a frequência da adolescente de 12 anos era regular. Procurada pela Agência Pública, a unidade de ensino apenas respondeu: “Infelizmente não conseguimos confirmar a informação e, infelizmente, nenhum setor da instituição poderá confirmar”.
Segundo apurou a Pública, a filha mais velha do senador, de 14 anos, teria deixado a escola no primeiro semestre deste ano. O colégio não informou os motivos quando procurado pela reportagem.
A ausência das estudantes em escolas se dá em meio à suspeita de que Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais no último domingo (25), tenha deixado o país, apesar de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ter determinado que o candidato derrotado nas urnas entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e incluí-lo no sistema de monitoramento migratório, o Sonar.
O senador não cumpriu o prazo de entrega, que terminava nesta terça, e teve os passaportes emitidos em seu nome cancelados pela Polícia Federal (PF). Flávio é alvo de investigação no STF que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Mais cedo, a coluna Grande Angular, do Metrópoles, informou, com base em pessoas próximas à família, que Flávio teria partido para os Estados Unidos e que o avião já estava em rota nesta tarde. Segundo a coluna, o senador estava sem dar notícias desde o início da manhã: a última mensagem teria sido enviada às 8h ao seu coordenador de campanha, Rogério Marinho (PL-RN), a quem teria dito estar “esfriando a cabeça”, sem responder se havia saído do Brasil. Mais cedo, Marinho havia negado que o aliado tivesse deixado o país.
A hipótese de fuga ganhou força quando o portal argentino Infobae noticiou que o senador teria cruzado a fronteira com a Argentina usando a carteira de identidade, rumo a Puerto Iguazú, de onde seguiria em voo privado para os EUA. A decolagem do jato, no entanto, foi retida devido a pendências de documentação de um dos passageiros, informou o jornal argentino Clarín.

A PF acionou as autoridades argentinas, que inicialmente não confirmaram nem negaram a entrada. Depois, o porta-voz do presidente Javier Milei, Fabián Fernández, negou à Bloomberg que Flávio tenha entrado no país.
O episódio, se confirmado, repete um roteiro de tentativas de evitar consequências judiciais já conhecido na família. O irmão Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos, e o pai, Jair Bolsonaro, foi preso pela PF em novembro de 2025 depois de tentar remover a tornozeleira eletrônica.
A reportagem procurou a assessoria do senador, mas não obteve retorno até a publicação. Em caso de manifestação, este espaço será atualizado.
*Informações que poderiam identificar as menores foram omitidas, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
Fonte: Agência Pública
