Política

Moradores da Maré se unem para combater abstenção e garantir direito ao voto após remoção de locais de votação

Por Jornal Regional MS
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A mudança de locais de votação para eleitores no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, gerou apreensão e dificuldades para muitos, mas também impulsionou uma forte mobilização comunitária. Cerca de 17 mil eleitores na região tiveram seus locais de votação alterados, um reflexo das medidas de segurança adotadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para retirar seções eleitorais de áreas consideradas de risco.

O fotógrafo Marlon Soares, morador da Maré, compartilhou sua frustração com a mudança, relatando longas filas e a necessidade de enfrentar deslocamentos maiores para exercer seu direito ao voto. “Pensei em todo momento em desistir”, desabafou, evidenciando o impacto prático da alteração para a rotina dos eleitores.

As alterações, que afetaram 72 locais de votação em 20 cidades do estado do Rio de Janeiro, impactando aproximadamente 202 mil eleitores, foram justificadas pelo TRE-RJ como uma estratégia para afastar a votação de áreas sob influência do crime organizado. No Complexo da Maré, especificamente, 41 seções eleitorais foram transferidas, distribuindo eleitores por locais como o Centro Educacional Gama E Souza, o Bonsucesso Futebol Clube e a Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso de Inhaúma.

Apesar das dificuldades, a organização não governamental Redes da Maré tem atuado ativamente para conscientizar os moradores sobre a importância do voto e a necessidade de comparecer às urnas. Por meio da mobilização “Esquinas por Direitos”, a ONG busca informar a população sobre como consultar o local de votação e a situação do título eleitoral, além de reforçar que é possível votar no segundo turno mesmo sem ter comparecido no primeiro, e que a biometria não é um impeditivo para quem ainda não a possui cadastrada.

Um estudo da própria Redes da Maré aponta que a abstenção nas seções alteradas na Maré chegou a 31,07%, superando a média nacional. A ONG ressalta que, embora não seja possível estabelecer uma relação causal direta com a mudança dos locais, a dificuldade de acesso e mobilidade urbana impostas pelas novas rotas de deslocamento afetam desproporcionalmente grupos vulneráveis, como jovens, mulheres chefes de família, pessoas com deficiência e idosos.

Lia Manso, analista de Incidência Política da Redes da Maré, enfatiza que o voto é um direito conquistado e fundamental para a participação democrática e o desenvolvimento coletivo. “A luta por ele não está terminada”, afirma, destacando o trabalho da organização em promover o debate e incentivar o exercício desse direito cívico, que impacta diretamente a vida dos moradores do território.