Em Campo Grande, agentes da Polícia Militar entraram em uma sala onde ocorria uma assembleia estudantil.
A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) afirmou nesta sexta-feira (9) que não acionou a Polícia Militar para atuar nos campi de Campo Grande e Paranaíba durante reuniões da comunidade acadêmica. A manifestação ocorre um dia após a universidade reforçar a proibição de atividades de natureza político-partidária em suas dependências, em razão do período eleitoral.
Estudantes relataram que, na noite de quarta-feira (7), policiais estiveram nas duas unidades da UEMS. Em Campo Grande, agentes da Polícia Militar entraram em uma sala onde ocorria uma assembleia estudantil.
Já em Paranaíba, segundo o DCE-UEMS (Diretório Central dos Estudantes), o vereador Sindoley Morais (PL) compareceu ao campus acompanhado de oito policiais militares armados, após uma denúncia envolvendo uma montagem que simulava propaganda eleitoral.
Na nota divulgada nesta sexta-feira (9), a reitoria afirmou que não foi informada previamente sobre a presença dos policiais. A universidade também informou que está recebendo relatórios e boletins de ocorrência das duas unidades para apurar os fatos e avaliar a adoção de medidas judiciais junto aos órgãos competentes.
A instituição reafirmou, ainda, o compromisso com a democracia e a pluralidade no ambiente acadêmico. “Valorizamos os debates internos, uma vez que este espaço se configura como ambiente plural, condição necessária à formação humana, política e profissional dos acadêmicos e das acadêmicas”, diz o comunicado.
UEMS reforça proibição de atividades político-partidárias
Na quinta-feira (8), um dia após os episódios nas unidades de Campo Grande e Paranaíba, a UEMS publicou um comunicado reforçando as restrições a atividades político-partidárias durante o segundo turno das Eleições 2026. Entre as orientações, a universidade proíbe o uso de camisetas, adesivos, broches, bonés e outros itens que identifiquem candidatos ou partidos no ambiente de trabalho.
O documento, elaborado com base no Manual de Condutas Eleitorais da PGE-MS (Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul), na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e na Constituição Federal, proíbe o uso de espaços, equipamentos e outros recursos da universidade para promover candidatos, partidos ou coligações.
As restrições incluem ainda a realização de campanhas, comícios, gravações e distribuição de material eleitoral com o uso de recursos da universidade. Também é proibido utilizar veículos, computadores, e-mails e redes sociais oficiais da instituição para fins político-partidários.
O comunicado proíbe, ainda, que servidores, estagiários e prestadores de serviço sejam direcionados a atividades de campanha durante o expediente. A participação individual em campanhas, por outro lado, é permitida fora do local de trabalho e do horário de expediente, desde que não haja uso de recursos ou identificação institucional.
Confusão ocorreu após banners feitos por meio de IA

Em nota de repúdio publicada na noite de quarta-feira (7), o DCE-UEMS afirmou que o vereador Sindoley Morais esteve na unidade de Paranaíba acompanhado de oito policiais militares armados. Segundo o diretório, a presença ocorreu após uma denúncia sobre uma montagem que simulava um banner de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
De acordo com a entidade estudantil, a imagem foi produzida por alunos em um grupo privado. O DCE afirmou ainda que outras montagens virtuais simulavam a instalação de material de apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas dependências da universidade.
O diretório sustentou que as imagens faziam parte de uma brincadeira entre estudantes e que não houve instalação efetiva de propaganda eleitoral. Também questionou o que classificou como uma aparente diferença de tratamento, alegando que a mobilização ocorreu para apurar a montagem relacionada a Lula, sem iniciativa semelhante em relação à imagem envolvendo Flávio Bolsonaro.
No caso de Campo Grande, o diretório afirmou que estudantes, professores e técnicos participavam de uma assembleia pacífica para debater ideias e questões políticas quando policiais militares entraram no prédio após uma denúncia de suposta “baderna” e perturbação da ordem.
Segundo a nota de repúdio, a situação foi esclarecida no local, sem episódios de violência. Ainda assim, a entidade classificou a presença policial durante a atividade como uma tentativa de intimidação e uma violação da autonomia universitária.
Fonte: Midiamax
